Minha Definição de Realidade: O Alvo e o Arco
Coloquei Yoga e Vedanta na balança. Decidi que o Yoga é minha forma (método), mas o Vedanta é meu destino. A alma se integra ao Todo.
A Encruzilhada Filosófica
Hoje defini meu chão filosófico.
Ao estudar a introdução dos Yoga Sūtras (Gloria Arieira), deparei-me com a comparação entre Yoga Clássico e Vedanta. Ela aponta as similaridades, mas também as diferenças fundamentais:
Yoga (Sāṅkhya-Yoga)
- Visão: Dualista (Puruṣa/Prakṛti).
- Meta: Kaivalya (isolamento absoluto do Espírito da matéria).
- Método: Prática intensa (Abhyāsa) e desapego (Vairāgya).
Vedanta (Advaita)
- Visão: Não-dualista (Ātman = Brahman).
- Meta: Mokṣa (reconhecimento de que você sempre foi Uno com o Todo).
- Método: Jñāna (conhecimento discriminativo) e Śravaṇa (escuta dos ensinamentos).
Minha Resolução: Yoga Como Forma, Vedanta Como Destino
Após refletir profundamente, decidi:
O Yoga é minha FORMA (o método, o arco, a disciplina).
O Vedanta é meu DESTINO (o alvo, a verdade última, a realização).
Por Quê?
-
Preciso da prática rigorosa do Yoga (Āsanas, Prāṇāyāma, meditação) porque meu corpo e minha mente ainda estão agitados. Não consigo simplesmente entender que sou Brahman e pronto. Preciso preparar o veículo.
-
Mas meu coração ressoa com o Vedanta. A ideia de que a individualidade é uma ilusão (Māyā), de que somos fragmentos da mesma Consciência Universal experimentando corpos diferentes — isso faz sentido visceral para mim.
A Questão da Individualidade da Alma
Inicialmente, a ideia da alma individual separada (Jīva como entidade distinta) me incomodava.
Mas hoje a ficha caiu:
Somos fragmentos da mesma Alma experimentando corpos e mentes diferentes.
A individualidade é uma ilusão funcional do ego (Ahaṅkāra). Ela é útil para operar no mundo (pagar contas, ter relações, construir), mas é enganosa como verdade última.
Acreditar na separação é improdutivo e gera sofrimento.
A Integração: Samanvaya
A palavra sânscrita Samanvaya significa "harmonização" ou "síntese". Não é escolher um ou outro. É entender que:
- O Yoga me dá a estrada.
- O Vedanta me dá o destino.
Não há contradição. São irmãos.
Īśvara: A Consciência E a Matéria
Pessoalmente, vejo Īśvara (Deus/Senhor) como:
- A Consciência (Puruṣa/Ātman).
- E também a Matéria (Prakṛti).
O Divino não é apenas o espírito puro e isolado. O Divino É a Realidade inteira — incluindo o mundo, o corpo, a dor, a alegria.
Brahman não está "lá em cima". Brahman É tudo isso aqui.
Reflexão para o Caminho
Samanvaya não é compromisso. É maturidade. É reconhecer que diferentes tradições iluminam diferentes aspectos da mesma Verdade.
Hoje aprendi que não preciso escolher entre Yoga e Vedanta.
Preciso usar o Yoga para chegar ao Vedanta.
Usar a disciplina para alcançar a compreensão.
Usar o arco para acertar o alvo.
Próximo passo: Continuar a prática intensa do Yoga (o método) com a intenção Vedantina (reconhecer o Uno em tudo). Praticar como se o esforço fosse necessário, mas entender que a libertação já É.