Mandala 19/Mar
Mandala 19/Mar: 56 Dias
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Síntese Pessoal

Minha Definição de Realidade: O Alvo e o Arco

Coloquei Yoga e Vedanta na balança. Decidi que o Yoga é minha forma (método), mas o Vedanta é meu destino. A alma se integra ao Todo.

16 de janeiro de 2026
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Termo Sânscrito
Samanvaya
Harmonização/Síntese

A Encruzilhada Filosófica

Hoje defini meu chão filosófico.

Ao estudar a introdução dos Yoga Sūtras (Gloria Arieira), deparei-me com a comparação entre Yoga Clássico e Vedanta. Ela aponta as similaridades, mas também as diferenças fundamentais:

Yoga (Sāṅkhya-Yoga)

  • Visão: Dualista (Puruṣa/Prakṛti).
  • Meta: Kaivalya (isolamento absoluto do Espírito da matéria).
  • Método: Prática intensa (Abhyāsa) e desapego (Vairāgya).

Vedanta (Advaita)

  • Visão: Não-dualista (Ātman = Brahman).
  • Meta: Mokṣa (reconhecimento de que você sempre foi Uno com o Todo).
  • Método: Jñāna (conhecimento discriminativo) e Śravaṇa (escuta dos ensinamentos).

Minha Resolução: Yoga Como Forma, Vedanta Como Destino

Após refletir profundamente, decidi:

O Yoga é minha FORMA (o método, o arco, a disciplina).
O Vedanta é meu DESTINO (o alvo, a verdade última, a realização).

Por Quê?

  1. Preciso da prática rigorosa do Yoga (Āsanas, Prāṇāyāma, meditação) porque meu corpo e minha mente ainda estão agitados. Não consigo simplesmente entender que sou Brahman e pronto. Preciso preparar o veículo.

  2. Mas meu coração ressoa com o Vedanta. A ideia de que a individualidade é uma ilusão (Māyā), de que somos fragmentos da mesma Consciência Universal experimentando corpos diferentes — isso faz sentido visceral para mim.

A Questão da Individualidade da Alma

Inicialmente, a ideia da alma individual separada (Jīva como entidade distinta) me incomodava.

Mas hoje a ficha caiu:

Somos fragmentos da mesma Alma experimentando corpos e mentes diferentes.

A individualidade é uma ilusão funcional do ego (Ahaṅkāra). Ela é útil para operar no mundo (pagar contas, ter relações, construir), mas é enganosa como verdade última.

Acreditar na separação é improdutivo e gera sofrimento.

A Integração: Samanvaya

A palavra sânscrita Samanvaya significa "harmonização" ou "síntese". Não é escolher um ou outro. É entender que:

  • O Yoga me dá a estrada.
  • O Vedanta me dá o destino.

Não há contradição. São irmãos.

Īśvara: A Consciência E a Matéria

Pessoalmente, vejo Īśvara (Deus/Senhor) como:

  • A Consciência (Puruṣa/Ātman).
  • E também a Matéria (Prakṛti).

O Divino não é apenas o espírito puro e isolado. O Divino É a Realidade inteira — incluindo o mundo, o corpo, a dor, a alegria.

Brahman não está "lá em cima". Brahman É tudo isso aqui.

Reflexão para o Caminho

Samanvaya não é compromisso. É maturidade. É reconhecer que diferentes tradições iluminam diferentes aspectos da mesma Verdade.

Hoje aprendi que não preciso escolher entre Yoga e Vedanta.

Preciso usar o Yoga para chegar ao Vedanta.

Usar a disciplina para alcançar a compreensão.
Usar o arco para acertar o alvo.


Próximo passo: Continuar a prática intensa do Yoga (o método) com a intenção Vedantina (reconhecer o Uno em tudo). Praticar como se o esforço fosse necessário, mas entender que a libertação já É.

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