Quando a Caneta Trava: O Yoga do Silêncio
No capítulo 14, eu risquei e anotei tudo. Mas no Capítulo 1, diante da dor de Arjuna, não consegui escrever nada. Minha caneta parou...
O Silêncio Como Resposta
No capítulo 14 da Bhagavad Gītā, eu risquei, escrevi, usei mantras. Estava ativo, participativo, absorvendo cada palavra de Krishna sobre os Gunas. Mas quando cheguei ao Capítulo 1 — o Viṣāda Yoga, o Yoga do Desalento — algo estranho aconteceu.
Diante da dor crua de Arjuna, da sua paralisia no campo de batalha, da sua confusão entre dever e afeto, minha caneta travou.
Não consegui escrever nada. Nem anotar. Nem tirar dúvidas.
O Arco Caído
Percebi que não escrever foi meu ato de "largar o arco".
Arjuna, no verso 1.47, deixa cair seu arco Gāṇḍīva e senta-se na carruagem, tomado pelo desespero. Ele não consegue agir. Ele não sabe o que fazer. Ele se entrega à ignorância.
E eu fiz o mesmo.
Aceitei minha ignorância. Fiquei apegado a esse sofrimento. Esperei, em silêncio, pela salvação que viria no Capítulo 2: Sāṅkhya Yoga — a revelação da verdade.
A Lição do Não-Fazer
Há momentos em que o Yoga não é sobre fazer algo. Não é sobre repetir mantras, escrever insights ou aplicar técnicas.
Às vezes, o Yoga é sobre parar.
É sobre reconhecer: "Eu não sei. Eu estou perdido. Preciso de um mestre."
O Capítulo 1 da Gītā não é um erro narrativo. Ele é a pedagogia do desespero. Krishna não começa ensinando — ele espera Arjuna pedir para ser ensinado.
E minha caneta travada foi meu pedido silencioso.
Reflexão para o Caminho
Viṣāda não é fraqueza. É o reconhecimento honesto da ignorância que antecede a sabedoria.
Hoje aprendi que o silêncio pode ser uma prática. Que não anotar pode ser um ato de humildade. Que aceitar que você não sabe é o primeiro passo para aprender.
Minha caneta travou porque eu precisava apenas escutar.
Próximo passo: Ler o Capítulo 2 com a mente vazia, pronta para ser preenchida.